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Já... Ainda não
Já... ainda não... Esta fórmula
ambígua ou contraditória parece retratar bem a
característica principal da vida do cristão sobre a Terra.
Com efeito, o fim de um ano dá origem a novo ano,
novo ano que será assinalado pelos mesmos marcos do ano anterior: 1º de
janeiro, Carnaval, Semana Santa... Esta verificação sugere a muitos
a tese do eterno retorno: a história constaria de ciclos que retornam
periodicamente e parecem agrilhoar o homem. Este se torna então ansioso
por libertar-se do curso da história monótono e destituído de
sentido. – A imagem que traduz tal concepção da história, é
a da serpente que se enrosca e enrosca, mas não chega a termo algum, pois a
cabeça acaba mordendo a cauda.
Esta noção depreciativa da história
não é cristã. O cristão reconhece que a história
é repetitiva: fim de ano – começo de ano indefinidamente. Mas ele sabe
que a repetição é prenhe de sentido; uma forte tendência
dinâmica a perpassa, e a leva a um grandioso termo final ou à plena
vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. São palavras de S.
Agostinho:
"Passam os dias que vêm chegando, passam e
voltam e anunciam o dia que não veio ainda nem passará, dia que não
é anunciado pelo dia de ontem nem será expulso pelo de amanhã.
Quando chegarmos a esse dia, unir-nos-emos a ele e também nós não
passaremos mais".
A imagem que exprime a dinâmica da história
é a de um cone que se vai abrindo regulamente. Nessa dinâmica do cone que se abre,
voltam as mesmas grandes solenidades do passado, mas o cristão as vivencia cada
ano com mais maturidade e profundidade: Natal, Páscoa, Pentecostes retornam
sempre, iguais e não iguais a si mesmos, pois cada ano estando mais próximo do
termo final, o cotidiano se torna mais lúcido, mais penetrado pela eternidade.
Voltando à imagem do cone, diremos que ele começa
num ponto frágil: o primeiro Adão, que reproduzia em miniatura os traços
do segundo Adão (ver Rm 5,14). Este vai-se formando através dos tempos. Sim;
vai-se formando na história da humanidade inteira, que Ele recapitula e entregará
ao Pai no fim dos tempos (ver 1Cor 15,24-28). – Ele vai-se formando outrossim na pessoa
de cada cristão:
"Meus filhos, por quem sofro de novo as dores do parto até que Cristo seja
formado em vós..." (Gl 4,19).
Na base destas ponderações, podemos dizer que
o nosso Natal 2006 será e não será o mesmo que em 2005, 2004, 2003...
Os textos e os símbolos serão os mesmos, mas através desses
intermediários apreenderemos mais densamente o mistério do Amor que
primeiro nos amou (ver 1Jo 4,19) e que pede uma disponibilidade à altura do
Grande Dom.
Vem, Senhor Jesus, e completa a tua obra em cada um
de nós!
A TODOS FELIZ NATAL E ABENÇOADO ANO NOVO!
Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
Diretor da Escola Mater Ecclesiae
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