Janeiro: um convite

 

O mês de janeiro dá início a uma nova etapa da caminhada do peregrino... É também um convite... convite para crescermos não somente quantitativamente (mais um ano: 2007 em vez de 2006), mas também qualitativamente, ganhando em coerência, profundidade e coragem... Na verdade, somos criaturas cujas virtudes ainda não foram totalmente desenvolvidas ou cujos talentos ainda não foram aplicados por completo. Enquanto peregrinos, sempre teremos potencialidades adormecidas e latentes, que é preciso despertar e avivar a fim de que integrem a riqueza de nossa personalidade.

Em 2007 passaremos por fases semelhantes às de 2006; será desejável, porém, que as vivenciemos com mais intensidade ou com novo ardor. A tendência espontânea de nosso eu é viver superficialmente, pois os acontecimentos se desencadeiam tão rapidamente e as urgências são tantas que parece não sobrar tempo para refletir e dar sentido profundo aos nossos atos... O ano que começa, é uma nova oportunidade que a Providência Divina nos concede para sacudir a rotina e tomar consciência do enorme valor que tem o tempo, visto que é no tempo que se constrói a eternidade.

Com outras palavras: apesar de decênios de vida já contados, cada um(a) de nós ainda é um tanto criança que tende à sua idade adulta. No útero materno éramos protegidos e alimentados por nossa mãe. Uma vez, porém, dados a luz, a gestação continua não mais sob a solicitude materna, mas entregue ao nosso próprio desvelo; estamos ainda em formação, em demanda da nossa estatura espiritual consumada. Daí a importância de nossos dias, semanas e anos (para não dizer:... de nossos segundos de minuto).

E qual seria o segredo do êxito dessa demanda?

É São Paulo quem responde ao exortar: "Tende em vós os mesmos sentimentos do Cristo Jesus" (Fl 2,5). Isto quer dizer: procurai ter o coração de Cristo com toda a gama de suas aspirações e atitudes. O próprio Jesus dizia: "Eu vim trazer fogo à terra, e como desejaria que já estivesse aceso!" (Lc 12,49).

Ele tem horror a um coração morno ou tíbio (cf. Ap 3,6) e deseja corações ardentes, que dinamizem os passos do viandante.

A caminhada, vivida na fé ou na penumbra, é, sem dúvida, exigente. Ela pode passar por tribulações e crises. Ora estes momentos difíceis são precisamente os mais valiosos porque nos obrigam a nos emancipar mais e mais dos bens passageiros para procurar alento nos que não passam; são precisamente a ocasião de crescer. Lembremo-nos de que o átomo encerra a poderosa energia atômica, que ele só projeta quando percutido ou martelado. Ora cada um(a) de nós pode-se identificar com o átomo, portador de magníficas virtualidades que só se desenvolvem quando provocadas pela Mão do Divino Artesão, que nos quebra o egoísmo para que vivamos mais dilatadamente a filiação divina, herdeira daquilo que o olho não viu,... "mas Deus preparou para aqueles que o amam" (1Cor 2,9).

A TODOS OS NOSSOS AMIGOS DESEJAMOS O MÁXIMO PROVEITO DA ETAPA 2007 DE SUA CAMINHADA!

Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
Diretor da Escola Mater Ecclesiae

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