|
"Por este sinal vencerás!"
O mês de março 07 é, para o
cristão, mês de Quaresma, o tempo de preparação
da Páscoa a ser celebrada no início de abril. Ora Páscoa
tem no seu âmago a imagem da Cruz... da Cruz transfigurada, feita nova
árvore da vida, feita trono do Rei dos séculos.
E como se deu essa transfiguração?
- Pela Cruz o Senhor da vida atravessou a morte
e venceu-a. A Cruz é o sinal da vitória da Vida sobre a Morte,
de tal modo que São Paulo podia dizer: "Não tenho outro
título de glória a não ser a Cruz de Nosso Senhor
Jesus Cristo" (Gl 6,14).
Todavia a assimilação desta verdade
custou aos cristãos, tal era o horror que o patíbulo da
ignomínia suscitava nos homens de outrora. Até o século
IV a imagem da Cruz foi preterida em favor de outros símbolos como a
âncora, o peixe, a pomba, o pastor... Em 312, porém, refere-se
que o Imperador Constantino viu nos céus a imagem da Cruz acompanhada
do dístico: "por este sinal vencerás", ao que se
seguiu a vitória do Imperador sobre seu rival Maxêncio na
ponte Milvia. Em 326 a mãe de Constantino, Santa Helena, descobriu
em Jerusalém as relíquias da Cruz de Cristo, como se crê.
Ora estes fatos foram chamando a atenção dos fiéis
para o significado da Cruz e seu valor salvífico de modo que no
século V já se celebrava no Oriente a festa da Santa Cruz,
que, a partir do século VII, também foi celebrada em
Roma aos 14 de setembro (como festa da Descoberta da Santa Cruz).
Atualmente a Cruz está em várias cerimônias na
Liturgia como também serve de adorno e jóia. Tão ampla
difusão do sinal da Cruz acarreta o risco da banalização.
De tanto fazer o sinal da Cruz, o cristão pode convertê-lo num
gesto mecânico, que nada significa. Eis, porém, que o tempo da
Quaresma nos incita a sacudir a rotina ou o torpor. Usar a Cruz significa
duas coisas:
- dar graças ao Senhor pelo dom
da Redenção, do qual participamos pelo Batismo e a Eucaristia;
fomos resgatados pelo mistério da Cruz, que reverenciamos;
- comprometer-se. Muitos fogem de compromissos
tidos como fardos incômodos. Contudo sabiamente diz o Profeta:
"É bom para o homem trazer o jugo desde a sua juventude" (Lm
3,27). O compromisso do cristão é com Cristo e a norma de
vida que Ele nos deixou. Morrer ao velho homem para dar espaço à
nova criatura ou à imagem do Cristo Jesus em cada um(a) de nós.
A Cruz é o símbolo desse caminho paradoxal, que passa pela
morte para chegar à plenitude da vida, em benefício não
só do sujeito individual, mas também dos irmãos nessa
comunhão de méritos e deméritos que é a
comunhão dos Santos. Possam muitos ser atingidos pela graça
que tiver passado copiosamente por cada um(a) de nós!
Desejamos a todos uma santa e fecunda Quaresma.
Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
Diretor da Escola Mater Ecclesiae
Versão
para impressão
|