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O Novo Adão
O mês de abril-07 se abre com a
Semana Santa, tempo de oração mais intensa para os
cristãos. Ante os olhos da mente passam as cenas da Paixão
de Cristo. Por mais variadas que sejam, elas têm um Fio
condutor: a recriação do ser humano, vítima do pecado dos
primeiros pais.
Com efeito: após a culpa de Adão, o Criador podia ter
abandonado seu desígnio de tornar a criatura consorte da
bem-aventurança celeste. O Não do homem teria prevalecido
sobre a benevolência divina. Tal, porém, não foi o caso. O
criador não se deixou vencer pelo mal, mas quis vencer o
mal com o bem (cf. Rm 12,21). Para tanto, o próprio Deus
assumiu a natureza humana no seio de Maria Virgem e
percorreu as etapas da vida do homem mortal até provar a
morte..., mas ultrapassou a morte, ressuscitando como novo
Adão ou novo pai do gênero humano. Assim a própria natureza
humana que pecou, tornou-se instrumento da sua redenção;
“Culpat caro, purgat caro, regnat caro, Dei caro. – A carne
peca, a carne contribui para a purificação. A carne reina,
a carne assumida por Deus.”, eis o que se canta num
hino da Liturgia da Ascensão.
Este procedimento divino se chama recapitulação
ou recirculação. Consiste em voltar atrás e
recomeçar na direção correta o caminho mal percorrido
anteriormente. Assim como o primeiro Adão foi até a morte
por desobediência, o segundo foi também até a morte, mas
por obediência e amor ao Pai. O caminhar para a morte –
conseqüência do pecado (Rm 5,12) – não foi extinto, mas
dotado de sentido novo; tende a uma morte que não é morte,
mas é Páscoa, é passagem para a plenitude da vida. Nessa
caminhada o cristão pode sofrer, mas sofre com Cristo numa
atitude de vencedor, porque unido Àquele que triunfou sobre
a dor e a morte.
Não se poderia conceber modalidade mais sábia e bela
de reparar as desgraças do primeiro pecado. A justiça é
respeitada (“No dia em que desobedeceres, tu te
afastarás da Vida”, Gn 3,3), mas sobrevêm-lhe o amor e
a misericórdia, que ultrapassam a morte, fazendo a nova
criatura (2Cor 5,17).
O sacramento do Batismo é o elo que liga Cristo,
vencedor da morte, a cada geração cristã. Por isto, ao
celebrarmos a Páscoa, renovamos nosso compromisso batismal
de renunciar à herança do primeiro Adão, que ainda existe
em nós e sorrateiramente nos tenta, para viver mais e mais
sob o impulso da graça do segundo Adão, gerado em nós
seminalmente no dia em que fomos batizados. Dois princípios
de vida existem em cada um(a) de nós: os resquícios do
primeiro Adão, marcados pelo pecado e a morte, e a
realidade do novo Adão, que tende a se desenvolver sempre
mais, absorvendo e transfigurando o que é velho e mortal em
cada indivíduo. – Ora ser cristão é vivenciar diariamente
essa transição do velho para o novo até se configurar
plenamente a imagem do Cristo Jesus em cada um de seus
discípulos.
É a feliz consecução desta meta que o Diretor desta
Escola deseja a todos os seus amigos. Santa Páscoa!
Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
Diretor da Escola Mater Ecclesiae
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