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"Os
maus não são bons porque os bons não são melhores"
Este título exprime uma grande
verdade, que nunca se considerará demais.
Pergunta-se porém: os maus precisam
dos bons para se converter? - respondemos que a sua conversão depende
da graça de Deus (que nunca lhes falta) e da sua fidelidade a essa graça.
Mas Deus quer servir-se de instrumentos. E isso em dois planos:
no meramente humano e no da fé.
No plano meramente humano... É notória a
influência do exemplo ou do testemunho apregoado não só com
palavras, mas também com gestos concretos. As palavras
voam, mas os exemplos arrastam. O homem de hoje, em muitos
casos, dá mais importância à sinceridade ou à coerência de
vida do que à própria verdade. São tantas as "verdades"
proclamadas por quem não as vivencia que muitos não lhes dão crédito.
E há tantos erros traduzidos em atos concretos
que arrastam multidões. Daí a importância do testemunho de
vida em favor do Evangelho. Essa coerência, porém, exige
coragem e brio... Coragem para que eu me adapte à Verdade e
não queira adaptar a Verdade a mim, coragem para sair do
meu pequeno mundo egoísta e pulsar com valores objetivos,
que interessam aos meus semelhantes. Quantos têm sempre essa coragem?
No plano da fé...
São Paulo nos diz que somos membros de um Corpo
cuja Cabeça é Cristo e que nesse Corpo há muitas interdependências:
"Como o corpo, sendo um, consta de muitos membros e os membros
sendo muitos, formam o corpo, assim é Cristo... Não pode o olho dizer à mão:
‘Não preciso de ti’, nem a cabeça aos pés: ‘Não preciso de vós’... Mais ainda:
os membros do corpo considerados mais fracos são indispensáveis e,
os que consideramos menos nobres, cercamos de maior honra" (1Cor 12,12-23).
Um membro doentio ou anêmico transmite menos vitalidade do que outro
plenamente sadio. Por isto se diz com razão que Deus quer salvar a uns mediante
outros, Cristo quer comunicar sua ação redentora aos membros do seu Corpo Místico,
para que, de um modo ou de outro, colaborem (por graça de Deus) na mais importante
de todas as obras, que é a santificação e a salvação dos homens. A consciência
desta verdade desperta em todo cristão o elevado senso de responsabilidade que lhe toca.
Aliás os documentos mais recentes da Igreja têm observado que o ateísmo se
propaga no mundo de hoje porque nem sempre é lúcido o testemunho que os
fiéis cristãos deveriam dar à Verdade. A decepção causada por não poucos afugenta
os indecisos. A natureza humana tende a acomodar-se e cair na mornura de vida.
Diz-se em latim "Quotidiana vilescunt. - A realidade repetida cada dia
perdendo o seu significado". Donde a importância de sacudir o véu da rotina,
de modo que "os homens, vendo nossas boas obras,
glorifiquem o Pai que está nos céus" (Mt 5,16).
Sabiamente disse Jesus: "'Vós sois o sal da terra'.
E acrescentou:'Se o sal perder o seu sabor, não haverá quem o substitua'" (Mt 5,13).
O bom cristão jamais poderá esquecer a nobre função que o
Senhor assim lhe confiou.
Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
Diretor Emérito da Escola Mater Ecclesiae
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