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Dezembro: Fim e Recomeço
O mês de dezembro representa um fim,... mas um fim que anuncia
um recomeço ou um novo ano.
Essa sucessão de anos, que vão sendo contados em ordem
crescente, faz pensar: um aumento numérico (2006, 2007, 2008...) sem
aumento qualitativo pode gerar monstruosidade; exige qualidade correspondente
à quantidade que cresce. O fim do ano nos aproxima do fim de nossa
caminhada na terra, mas nos aproxima também do começo de nossa
vida definitiva. Se o corpo envelhece, a alma não envelhece; é
dotada de juventude perene; se na velhice do corpo ela não se
manifesta, isto se deve a deterioração do corpo, e não
a insuficiência da alma humana, que tem o corpo como seu instrumento.
Nesse contexto pode-se crer que três sentimentos movem o
cristão peregrino na terra:
1) Gratidão ao Senhor pelo dom da
vida. O tempo é a primeira dádiva de Deus ao homem; é
tempo redimido pelo sangue de Cristo, tempo de santificação ou kairós. Junto
com a gratidão vai um ato de arrependimento pelo possível
descaso do tempo que foi confiado a cada um. Arrepender-se não
humilha é atitude nobre, que supõe a coragem de reconhecer a
verdade e confessá-la a Deus e a quem compete ouvi-la.
2) Mais maturidade... A vida é uma
escola, em que vamos aprendendo a escalonar sempre melhor os nossos valores,
de modo a viver sempre mais acertadamente na demanda do Absoluto e Definitivo.
O começo de novo ano é um convite a mais seriedade e
profundidade. São Paulo fala muito do crescer em maturidade:
"Não sejamos crianças, joguetes das ondas, sacudidos
por qualquer vento de doutrina; ao contrário, com a sinceridade do
amor, cresçamos até alcançar inteiramente aquele que
é a Cabeça, Cristo" (Ef 4,14s).
3) Alegria... Se, de um lado, o corpo
vai-se fragilizando com o tempo e obrigando a renunciar a muitos valores
legítimos, de outro lado, o cristão se regozija porque vai
chegando ao fim da sua peregrinação e, como um barco que
navega, é mais e mais penetrado pela luz da vida definitiva emitida
pelo porto ao qual tende. A vida do cristão não pode deixar de
ser marcada por uma viva alegria interior, pois deve ser um progresso que,
deixando para trás infantilismo e imaturidade, vai sendo invadida
pelos valores eternos que lhe serão cada vez mais próximos.
Só há um mal que possa perturbar essa alegria íntima:
o pecado ou a fuga diante do Absoluto e Eterno.
É com estas ponderações que desejamos a todos os
nossos leitores e amigos um santo fim de ano e abençoado 2008, que seja
um passo largo em demanda da Eternidade!
Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
Diretor Emérito da Escola Mater Ecclesiae
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