"Somos o bom odor de Cristo"

                                       (2Cor 2, 15)

Em 2Cor 2,15 São Paulo afirma, que somos o bom odor de Cristo. Estas palavras de profundo significado importam três grandes verdades, que tentaremos desenvolver:

1) Para ser o bom odor de Cristo, o indivíduo deve tornar-se, a seu modo, um outro Cristo - o que quer dizer: morrer sempre mais para a velha criatura, herdeira do primeiro Adão, e deixar que a vida nova do Cristo depositada em nós pelo Batismo, se desenvolva cada vez mais. O Apóstolo o diz quando exorta os filipenses a ter os sentimentos do Cristo Jesus (Fl 2,5) - o que equivale a ter um coração forjado segundo o coração de Cristo.

2) O odor não fala; ele apenas se torna presente; basta a presença para surtir efeito. Algo de análogo se dá entre nós. Há presenças que modificam seu ambiente para melhor ou para pior; são presenças que se impõem sem ofender alguém. Aí está o valor do ser (ser fiel, honesto, responsável, para não mencionar também as virtudes teologais). Isto nos chama a atenção para a importância do nosso comportamento: sem saber, estamos construindo ou destruindo uma comunidade: no dia do juízo final será dado a cada um(a) ver esse tipo de atuação entre os nossos semelhantes. Ninguém se salva sozinho; somos responsáveis pela salvação do nosso próximo, queiramo-lo ou não. Pouco se pensa nisto ou nessa verdade de primeira grandeza. Aliás, muito sabiamente dizia Elisabeth Lieseur: "Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro".

3) Acrescenta o Apóstolo:"Para uns somos odor que da morte conduz à morte, para outros, somos odor que da vida conduz à vida" (2Cor 2,16). O que quer dizer: nossa presença pode confirmar os bons no bom caminho, como pode confirmar os maus no mau caminho, pois é um apelo de Deus que a indisposição do pecador pode transformar em sentença de condenação. Já que ninguém está predestinado a se condenar, nossa presença eloqüente poderá ser sempre ocasião de conversão do irmão impenitente. Deus pode fazer maravilhas sem que o percebamos.

O texto analisado nos põe, mais uma vez, ante os olhos o valor de uma vida reta, que com simplicidade e humildade é fiel a Cristo. Mesmo que essa pessoa não fale, ela pode ser altamente construtiva, pois o ser vale mais do que o ter. Um dia nós o veremos claramente!

Conclui o Apóstolo:"E quem está à altura de tal tarefa?" (2Cor 2,16). - Respondemos: Ninguém sem a graça de Deus; mas todos, sustentados pela graça. Fomos chamados por Aquele que é absolutamente fiel.

Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
 

Texto publicado na Revista Pergunte e Responderemos nº 542, Agosto/2007.

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