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"Senhor,
Tu sabes tudo; sabes que eu Te amo"
(Jo 21, 17)
Estas palavras foram ditas pelo Apóstolo
São Pedro em resposta à terceira interrogação
em que Jesus perguntava: "Simão, filho de João,
tu me amas?" - Pedro havia renegado Jesus três vezes no decurso da
Paixão do Mestre; o Senhor então, com três
interrogações, parecia querer dar a Pedro a ocasião de se redimir.
Nas duas primeiras respostas, Pedro havia dito "Sim, Senhor".
Talvez imaginando que Jesus não lhe dava crédito, respondeu
finalmente: "Senhor, sabes tudo, vês
o fundo dos corações;
podes então ver que no fundo de mim mesmo eu
Te amo, embora minha conduta
tenha sido incoerente".
Este episódio é, de certo modo, paradigmático.
Todos os humanos são como Pedro: dizem amar a Deus sobre todas as coisas;
mas não deixam de O renegar pelo pecado; daí a importância
daquele apelo final à onisciência de Deus ou de Jesus.
Lidar com um Deus infinitamente sábio e santo poderia parecer assustador
(Deus tão grande, e eu tão pequeno!), mas é precisamente
isto que nos reconforta. A Sabedoria infinita de Deus não existe
para esmagar o homem, mas precisamente para o salvar; Ele sabe ler o íntimo das
consciências e perceber as boas intenções que aí residem,
sem poder manifestar-se plenamente por causa da fragilidade da carne.
O Profeta Oséias explana eloqüentemente o aspecto misericordioso da
Grandeza divina ao escrever:
"Como poderia abandonar-te, Efraim? Como entregar-te a
outrem, Israel? Meu coração se comove dentro de mim;
toda a minha compaixão se acende em mim.
Não darei vez ao ardor de minha cólera,
porque sou Deus e não homem. Sou o Santo
no meio de ti, não irei até vós em minha
ira" (Os 8,11).
Paradoxalmente o Santo não é o que destrói
o pecador. O pecado continua sendo a pior desgraça que possa afetar o homem,
mas ainda é maior a graça do Deus que perdoa porque Ele é
Deus e não homem. Possam estas palavras despertar em todos os seres humanos
enorme confiança em Deus, desde que sejam sinceros na sua procura de
perdão. Possa também cada cristão repetir freqüentemente
estas palavras que tranqüilizam o pecador:"Senhor,
Tu sabes
tudo; sabes que eu Te amo". E tente ser coerente!
Pe. Estêvão Bettencourt, OSB
Texto publicado na Revista Pergunte e Responderemos nº 543, Setembro/2007.
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