Dia do Papa – 03 de julho de 2017.

At 12,1-11

Sl 33 (34)

2 Tm 4,6-8.17-18

Mt 16,13-19

 

A celebração do domingo constitui o centro da vida do povo cristão. De fato, como os antigos mártires, podemos afirmar: “Não podemos viver sem o domingo!” Neste dia central da nossa vida, dia que dá sentido à toda nossa existência, nós nos reunimos em assembleia, para celebrar o Mistério que para nós se deu no dia de domingo: o Mistério da Páscoa do Senhor! Esse é o único mistério que a Igreja celebra, o mistério do seu Senhor que morreu e ressuscitou para lhe dar uma nova vida. Ao celebrarmos a Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, outra coisa não estamos celebrando que a Páscoa de Cristo na vida deles. Pedro e Paulo, dois que, na expressão de Santo Agostinho, “eram como um só”. Os seus corações pulsam de amor pelo Cristo e por Ele desejam ardentemente dar a própria vida. Em seu martírio os dois se unem à Páscoa do Senhor, Paulo pela espada e Pedro, pela cruz.

O Evangelho que hoje ouvimos nos coloca diante da confissão de fé de Pedro. Jesus interroga aos discípulos a respeito do que pensam d’Ele os homens: a resposta é confusa! Jesus, então, pergunta sobre o que pensam d’Ele os seus discípulos. Pedro, tomando a frente e respondendo por si e pelos seus companheiros afirma: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo!” Pedro responde ao Senhor não com a obscuridade e a duplicidade de crenças meramente humanas, mas com a clareza da fé, que não é dada a Pedro por algum ser humano, mas pelo Pai que está nos céus. O Pai dos céus nos envia o seu Espírito, que abre os nossos olhos para respondermos a pergunta do Cristo, que é hoje repetida a cada um de nós: “E vós, quem dizeis que eu sou?”

Pedro vem de Pedra, como cristão vem de Cristo, nos recorda o mesmo Santo Agostinho! O cristão é o sacramento, o sinal vivo do Cristo! Pedro é o sacramento, sinal vivo da fé, que é a rocha sobre a qual o Senhor edifica a sua Igreja. Por isso a Igreja celebra hoje o dia do Papa. Ele, o Santo Padre, é o sinal visível da comunhão que nos une, o “doce Cristo na terra”, como dizia Santa Catarina de Sena.

A Igreja está edificada sobre o fundamento dos apóstolos, como nos diz a carta aos Efésios (cf. Ef 2,20), porque estes são, para nós, o sacramento da rocha, da fé firme no Cristo Senhor, sobre a qual a Igreja está fundada. A Igreja é a casa construída na Rocha. Os ventos dão contra esta casa comum, mas ela não cai e nem cairá, porque está fundada sobre a Rocha que é Cristo.

Pedro recebe as chaves, o poder de ligar e desligar, de manter preso ou de libertar. A primeira coisa que Pedro desliga é a sua incredulidade. Aquele que havia se atado pela incredulidade negando três vezes o Cristo, vai depois se desligar/desatar pela tríplice confissão de seu amor (cf. Jo 21,15-17) e se tornar Pastor das ovelhas, sacramento daquele que é o único pastor.

Devemos ter presente em nós a clareza da fé que animou estes santos apóstolos. É a luz da fé que ilumina este mundo tantas vezes envolto em trevas. Pedro e Paulo seguiam o Senhor com a clareza da fé e, com certeza, diante de tantos sofrimentos pelos quais passaram, puderam no final de suas vidas cantar com o salmista: “De todos os temores me livrou o Senhor Deus”.

Estes sofrimentos vividos pelos apóstolos por causa de Cristo e, ao mesmo tempo, a sua experiência da presença do Senhor, nos são testemunhados nas leituras deste domingo. A primeira leitura nos fala da prisão de Pedro. Misteriosamente liberto durante a noite, Pedro vai se dar conta, já fora da prisão, “que o Senhor enviou o seu anjo” para libertá-lo. Paulo, na segunda leitura, sabendo que está próximo o momento de seu martírio – pois desse último combate ele não pode ser poupado, visto ser essa a porta por onde ele vai entrar no Reino – deixa a Timóteo o seu testemunho espiritual. Ele fala do “bom combate” combatido por causa de Cristo. Testemunha, também, que não esteve só, mas o Senhor “esteve ao seu lado” para lhe dar forças.

Caminhemos na luz da fé e experimentaremos, também nós, o Senhor nos livrando de todos os temores. O anjo do Senhor vem acampar ao nosso redor, e nos salva. De todos os temores o Senhor nos liberta. Vejamos o que diz o salmista: o Senhor não nos liberta de todas as situações de dificuldade que causam temor, mas do temor causado por estas situações. Porque não tememos? Os ventos dão contra a casa e não tememos? Os sofrimentos e a morte são tão palpáveis e não tememos? Por quê? Porque o Senhor está no meio de nós e Ele nos liberta de toda angústia e de todo temor, porque nos dá a certeza de que contemplaremos a sua face e isto nos basta.